Críticas

Published on maio 3rd, 2018 | by UaiNerd

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Corrente do Mal – Crítica

Inspirado em sonhos reais do diretor David Robert Mitchell, Corrente do Mal (It Follows) é uma mina de ouro cheia de bronze. Recheado de cenas longas e contínuas com a função principal de manter a tensão durante todo o longa, a indústria do terror finalmente fez algo que não se via há muito. Com tendências das décadas de 80 e 90, quando você entrava na atmosfera sinistra do filme, “Corrente do mal” te faz ficar nervoso ao perceber uma presença ainda não notada pelos personagens, tirada muito usada em produções mais antigas. Ainda assim, como costumo dizer, nem tudo são flores.

Jay (Maika Monroe), uma jovem de 19 anos moradora da cidade de Detroit faz parte de uma massa de jovens tipicamente americanos cuja vida baseia-se basicamente em escola, garotos e diversão. Abordando a questão da sexualidade como parte de um ritual de iniciação, a história começa quando Jay tem um encontro com Hugh (Jake Weary), rapaz com quem está saindo, e acabam fazendo sexo. Após a consumação, Hugh violentamente prende Jay a uma cadeira em um prédio afastado e lhe explica que está repassando a ela uma maldição na qual variadas pessoas desconhecidas tentarão mata-la, e somente ela poderá vê-las. Além disso, Hugh também conta para Jay que a única maneira de repassar a maldição é fazendo sexo com outra pessoa; no entanto, se a pessoa falhar e for morta, a maldição retornará a ela. Jay e seu grupo de 5 amigos embarcam então numa missão pra descobrir uma maneira de fugir e acabar com essa sina, sem que acabem mortos, investigando os envolvidos e recorrendo as mais diversas formas de se livrarem do fardo.

 

Com uma história diferente de qualquer uma outrora vista por mim, o filme me rendeu alguns jump scares (principalmente quando o perseguidor de Jay aparecia como um homem de uns 3 metros de altura, SÉRIO) e me fez sentir todo o pavor dos personagens; acredito que a jogada de câmeras e o fato de parecer que eles estavam totalmente sozinhos naquela situação sombria tenham contribuído pra isso. Quem no mundo não ficaria apavorado com a ideia de estranhos que só você pode ver te perseguindo e tentando te matar? Contudo, a ideia de Mitchell de manter o filme inteiro numa completa tensão acabou caindo por água quando fez parecer com que não houvesse nenhum momento clímax no filme. É como se estivesse assistindo a mesma cena durante toda a produção.

Embora não haja nenhuma confirmação, algumas vias de comunicação propuseram que o filme fizesse uma metáfora as DST’S (doenças sexualmente transmissíveis) quando dissipa uma maldição através do sexo e me impressionou como isso soa como um provedor de tabu pra uma sociedade que ainda vê problema no sexo sem compromisso. Entretanto, isso não passa de uma teoria não confirmada por Mitchell.

“Corrente do Mal” agradou a crítica, todavia, estaria indo contra meus princípios éticos de concordar com tudo o que li por ai elogiando-o. Senti medo, senti que estava lá e senti a aflição de Jay. Mas também senti a falta de um final digno de aplausos e de algo que me fizesse vibrar e dizer com esses meus olhinhos apaixonados pelo mundo do terror que finalmente assisti ao que poderia quem sabe um dia tornar-se, talvez, um clássico.  Fotografia excelente, mas faltou roteiro. Não conseguiria me identificar na personagem nem em mil anos, o que me fez, de certa forma, senti-la um pouco fora de contexto. Ademais, me sentiria muito mais satisfeita ao fim do filme se houvesse um aprofundamento nos reais motivos e na origem da maldição.

Gostei de quase tudo que envolveu o filme no que diz respeito à produção, até mesmo pelas influências dos clássicos do gênero “Halloween” de John Carpenter, e “A hora do pesadelo” de Wes Craven; no entanto, muita coisa também me desagradou. Repito: uma mina de ouro cheia de bronze.

 

Dirigido por David Robert Mitchell e distribuído pela California Filmes, “Corrente do Mal” tem estreia marcada pro dia 27 de agosto aqui nos cinemas do Brasil. E aí, vai perder?

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